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Foto: Divulgação

Espécie invasora é retirada no Mona Cagarras

Segunda fase do experimento promoveu o replantio de 50 mudas nativas na Ilha Comprida.

Nativo do continente africano, o conhecido capim-colonião (Megathyrsus maximus) é considerado uma planta invasora que diminui drasticamente a biodiversidade da área em que se estabelece. Além de seu crescimento ser rápido, é considerado de fácil combustão o que para uma Unidade de Conservação, como o Mona Cagarras, representa um grande perigo para a preservação da região e todos os animais que ali habitam. Para combatê-lo, o Projeto Ilhas do Rio, patrocinado pela Petrobras desde 2011, vem realizando desde 2014 um experimento pioneiro em ilhas costeiras do estado do Rio de Janeiro, que consiste na retirada da espécie invasora e o replantio de novas árvores para devolver à região sua flora original.

Cerca de 15 pessoas participaram da ação que contou também com a presença da gestora da Unidade de Conservação, Tatiana Ribeiro (ICMBio) e uma equipe de sete colaboradores do Instituto. As condições do mar estavam perfeitas, mas o calor dificultou um pouco o trabalho da equipe, que teve que fazer várias viagens do barco até a ilha para desembarcar todas as mudas. “É uma logística complicada porque as mudas já estavam grandes, pesadas e o desembarque na ilha não é fácil. Mas, felizmente, o mar estava em condições ideais e tivemos 100% de aproveitamento. Todas as mudas foram plantadas”, avalia Massimo Bovini, pesquisador responsável pelo mapeamento de toda a flora terrestre do Mona Cagarras.

Nesta segunda fase, uma área de 800 m² da Ilha Comprida recebeu 50 novas mudas, de seis espécies nativas diferentes, que foram plantadas através da técnica de nucleação, isto é, ao redor das mudas plantadas em 2014, hoje com aproximadamente 1m de altura. Este é um experimento pioneiro em ilhas costeiras, realizado com a ajuda do especialista, Richieri Sartori, professor de Biologia da PUC-RJ. “Além de fornecerem sombra para as novas mudas, as árvores crescidas funcionam como um poleiro natural para os pássaros, que pousam nelas, jogam insumos e sementes na terra. Com isso, nós fertilizamos o solo ao redor e trazemos os pássaros de volta, que são muito importantes para o equilíbrio do ecossistema”, explica Massimo.

A escolha das espécies se deu por razões especiais e só foi possível devido ao inventário da flora do Mona Cagarras, elaborado pelo projeto entre 2011 e 2015, onde estão catalogadas 160 espécies, entre árvores, arbustos e ervas. Segundo Massimo, sendo nativas, as chances de sobrevivência são maiores, além de evitar que se estabeleça outro tipo de espécie invasora como o capim-colonião, que provavelmente se desenvolveu nas ilhas devido a algum incêndio no passado. “Acredito que em algum momento remoto, na década de 30 ou 40, tenha havido um grande incêndio na ilha, que provocou a abertura de clareiras e expôs diretamente o solo. A falta de vegetação favorece o crescimento do capim e se agrava ainda mais com a presença humana, já que essas sementes são muito leves e se deslocam com o vento, aves ou até mesmo pela sola do sapato”, explica Massimo.

Para a retirada inicial deste capim, a primeira etapa foi o fogo controlado em toda a área reservada para o experimento. Em seguida, o terreno foi dividido em parcelas, onde foram utilizadas três técnicas diferentes: roçada manual, herbicida e técnica de “muching” (é colocada uma lona preta para impedir que o capim volte a crescer). Depois, foram replantadas 300 mudas da espécie nativa Lonchocarpus virgilioides. Desse total, 10% sobreviveram, estando hoje entre 1 e 2 metros de altura. “Em uma região normal, consideramos 20% um índice positivo. Porém, como se trata de uma região insular, com ausência de água doce, alta salinidade e muita presença de fósforo no solo, devido às fezes das aves, podemos dizer que essa primeira etapa foi muito bem-sucedida”, explica o pesquisador Massimo.

Diferente da fase anterior, as novas mudas não foram germinadas a partir de sementes retiradas das ilhas. Dessa vez, elas foram cedidas já prontas pela prefeitura do Rio e ficaram por dois meses em processo de rustificação, pegando sol e chuva para se adaptar às variações de temperatura. O processo de plantio, no entanto, foi o mesmo, com o uso de hidrogel, que ajuda a segurar a água por mais ou menos 15 dias, até que chova. “Dessa vez, levamos as mudas já mais fortalecidas e não embrionárias, o que dá uma sobrevida a elas. Sem contar que agora elas estão sombreadas pelas outras árvores, então, acredito que 50% delas vinguem”, diz Massimo. Em um mês, a equipe retornará à ilha para monitoramento e a expectativa é que em quatro anos a população já possa ver o resultado. “Feito o replantio, entramos na fase do monitoramento. Acredito que em janeiro teremos ideia de quantas vingaram ou não e, dando certo, dentro de aproximadamente quatro anos, será possível ver da praia de Ipanema os pontos de mata restaurada”, avalia Massimo.

Fonte: ICMBIO

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