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Projeto revela valor nutricional da flora nativa

Banco de dados da iniciativa Biodiversidade para Alimentação e Nutrição, coordenado pelo MMA, reúne informações sobre espécies brasileiras.

Sabia que o camu-camu, originário da Amazônia, possui mais de 35 vezes a quantidade de vitamina C encontrada na laranja? Ou que o buriti, presente na maior parte dos biomas brasileiros, tem quase o dobro de vitamina A de uma cenoura? E, ainda, que o babaçu, encontrado no Cerrado, Caatinga e Amazônia, é quase 20 vezes mais rico em ferro que a farinha de trigo? Pois é. A flora brasileira, a mais diversa do mundo, oferece também alimentos altamente ricos em nutrientes.

Para ajudar a esclarecer a população sobre o valor nutricional dos alimentos nativos, o projeto Biodiversidade para Alimentação e Nutrição (BFN, na sigla em inglês), coordenado no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), acaba de lançar uma nova ferramenta de consulta pública voltada para nutricionistas, estudantes e consumidores. Trata-se do Banco de Dados de Composição Nutricional da Biodiversidade.

No momento, estão disponíveis informações sobre o valor nutricional de mais de 150 alimentos. A ferramenta terá atualização constante. Até julho, serão inseridos gradualmente dados de macronutrientes, vitaminas e minerais de mais de 70 espécies nativas, gerados por análises laboratoriais, e mais de 300 receitas culinárias.

Todos os dados e receitas foram desenvolvidos por universidades e institutos de pesquisa parceiros do BFN nas cinco regiões do país (leia mais detalhes abaixo). Os estudos trouxeram à tona dados surpreendentes e altamente positivos sobre o valor nutricional de várias espécies da flora brasileira, tanto frutas como hortaliças de um modo geral (confira os gráficos no final da matéria).

Os dados foram obtidos por meio da análise laboratorial direta ou da compilação de literatura científica, conforme metodologia desenvolvida pela International Network of Food Data Systems (Infoods), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

POLÍTICAS PÚBLICAS

A seleção das espécies priorizadas teve como base três critérios: valor alimentício regional, potencial econômico e importância social. O objetivo é tornar a ferramenta uma referência nacional para a composição de alimentos derivados da flora nativa brasileira e instrumento de pesquisa e desenvolvimento, servindo ainda de embasamento para políticas públicas.

“Há diversas iniciativas federais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), parceiros do Projeto BFN, que representam pontos de entrada para alimentos nativos, mais nutritivos, produzidos de forma sustentável, tornando-os mais acessíveis à população brasileira, com incentivos que favorecem a agricultura orgânica e a produção agroecológica de pequenos agricultores e da agricultura familiar”, diz o diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercillo.

As espécies nativas, segundo ele, apresentam grande potencial para garantir a segurança alimentar, saúde, geração de renda e serviços ecossistêmicos. “A partir de agora, com a disponibilização de dados nutricionais das espécies nativas, elas ficam mais evidentes e atraentes aos agricultores familiares, não apenas para o cultivo, mas também para a utilização sustentável e comercialização”, acrescenta Vercillo.

Para a analista ambiental Camila Neves Soares Oliveira, responsável no MMA pelo BFN, a disponibilização de dados nutricionais confiáveis das espécies nativas vai funcionar como um incentivo para o desenvolvimento de políticas mais inclusivas, além de promover uma maior presença dos produtos da biodiversidade em diversas iniciativas federais ligadas à segurança alimentar e nutricional.

“Os alimentos da biodiversidade, ricos em micronutrientes e com baixa densidade calórica, podem contribuir para inverter uma tendência mundial de simplificação da dieta e representam um importante recurso para atacar os múltiplos fatores da má nutrição, como por exemplo fome, obesidade e deficiência de micronutrientes”, destacou a analista.

O PROJETO

O Projeto Biodiversidade para Alimentação e Nutrição ou BFN (sigla para Biodiversity for Food and Nutrition) é uma iniciativa internacional que reúne quatro países (Brasil, Quênia, Sri Lanka e Turquia) com o objetivo de despertar a sociedade para os benefícios do uso sustentável da biodiversidade na alimentação, com implicações tanto na nutrição humana quanto no futuro das espécies. A coordenação no Brasil está a cargo do MMA, por meio do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies.

Além do governo brasileiro, o projeto conta com o apoio de diversos órgãos e organizações nacionais e internacionais, entre eles, a ONU Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Bioversity Internacional.

O banco de dados foi estruturado pelo MMA em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. As informações foram geradas por mais de cem pesquisadores das universidades federais e estaduais e institutos de pesquisa parceiros do projeto – UFRGS, Unifesp, UFG, UFC e UFPA, UECE e USP, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Embrapa, entre outros. A ferramenta está integrada ao Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

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